Naquela tarde, sentada na sua árvore e folheando o livro já tantas vezes lido, ela constatou que não era, de fato, a mesma personagem. Tinha mudado tanto que entendia, não sem medo, uma nova essência dentro de si. Ela já desconfiava, é bem verdade. Mas era estranho perder o benefício da dúvida. E se ler ali, tão bem escrita, como se fosse assim tão clara, banal, um clássico, era mesmo Insustentável. Ele, se chegando manso como de costume, a despertou, e ali se desenhou a nova descoberta: não era só que não fosse mais carne, já não era nem sangue. Era, mesmo, a necessidade de qualquer besteira inconseqüente, pra tentar fugir daqueles olhos e, sem saber, se perder naquele sorriso.
Aquele sorriso...
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
Dor Pungente
E foi sem muito porque que explodiu dentro dela o vazio das coisas, pessoas, deixadas tão simplesmente pra trás.
E foi aquela explosão cristalina
Aquela que, inevitavelmente,
transborda no escuro do rádio ligado.
E foi aquela explosão cristalina
Aquela que, inevitavelmente,
transborda no escuro do rádio ligado.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
sob medida
Não era mesmo de se esperar que
Ele,
que de tão inseguro condenava tudo a que pertencia,
percebesse o encanto ímpar
de se ver tão bem refletido nos olhos daquela menina.
Ele,
que de tão inseguro condenava tudo a que pertencia,
percebesse o encanto ímpar
de se ver tão bem refletido nos olhos daquela menina.
sábado, 19 de abril de 2008
Once
Não há disfarces em Once, não há uma luz magnífica que deixa os atores lindos, nem um figurino e maquilagem que os deixem em um patamar acima de qualquer mortal. A música, a realidade, as pessoas... a dor e o amor ali presentes... Ah, eles realmente viveram felizes para sempre.
terça-feira, 15 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
I'm not your friend, I never was.
E agora te dói essa saudade, essa desconversa, esse não saber meus passos.
É claro que dói, meu amor. Mas é o que sobrou.
É o que sobrou porque você me arrasou. Como era mesmo? 'Era o medo de te magoar'. Hahaha. Logo eu que sempre quis a veia vermelha de amor magoado. Mas você não enxergou. Você nunca enxerga muito além do acorde ou da nota.
E não sobrou mesmo nada, porque eu também te destrui. Eu sabia os cinco pontos que explodiam teu coração. Mas ele não explodiu. Porque nada em ti explode. E eu queria mesmo uma faca pra te esfaquear até teus olhos pulsarem, enquanto você mandava eu ter cuidado pra não me cortar. Hahaha.
Então olha nos meus olhos de verdade, e não me vem com essas frases feitas de paixão que virou amor e que agora não pode ser jogado fora, porque a única coisa que eu ainda quero é riscar, entre taças de vinho, um Cartola em homenagem aos velhos tempos.
É claro que dói, meu amor. Mas é o que sobrou.
É o que sobrou porque você me arrasou. Como era mesmo? 'Era o medo de te magoar'. Hahaha. Logo eu que sempre quis a veia vermelha de amor magoado. Mas você não enxergou. Você nunca enxerga muito além do acorde ou da nota.
E não sobrou mesmo nada, porque eu também te destrui. Eu sabia os cinco pontos que explodiam teu coração. Mas ele não explodiu. Porque nada em ti explode. E eu queria mesmo uma faca pra te esfaquear até teus olhos pulsarem, enquanto você mandava eu ter cuidado pra não me cortar. Hahaha.
Então olha nos meus olhos de verdade, e não me vem com essas frases feitas de paixão que virou amor e que agora não pode ser jogado fora, porque a única coisa que eu ainda quero é riscar, entre taças de vinho, um Cartola em homenagem aos velhos tempos.
domingo, 6 de abril de 2008
a vida inteira pode ser qualquer momento
Once - que eu não traduziria como 'Apenas uma Vez' - está entre as coisas da vida que chamo carinhosamente indizíveis.
Once não é sobre o amor, sobre a música ou sobre uma maravilhosa produção cinematográfica - essa combinação todo mundo já viu antes.
Once não é sobre o amor, sobre a música ou sobre uma maravilhosa produção cinematográfica - essa combinação todo mundo já viu antes.
Não é aquele mundo da mágia onde tudo é possível, nem tão pouco é essa vida real onde nada dá pé. Once não é a freqüência com que você encontra a pessoa certa. Não é nada disso.
Tem aquele cara que conserta aspirador de pó e tem aquela garota Tcheca, ambos em suas vidas totalmente humanas, reais. Tem aquele encanto de encontro, que poderia acontecer com qualquer um de nós, e que provavelmente já aconteceu com você. Tem também toda aquela coisa da música, que transforma esse encontro em algo mais 'raro' que os fãs d'O Teatro Mágico. Isso era o que eu sabia, esperava de Once.
Mas Once não é isso.
Eu estava, de fato, tão enganada quanto os que alegam que ali não há um final feliz.
Na saída do cinema, ouvindo Once no mp3, eu finalmente entendi que, naquele final, aquele cara e aquela garota viveram felizes para sempre.
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